• Taís Veloso

George Christian Lança “A Era da estupidez”


"George Christian, em A ERA DA ESTUPIDEZ, leva adiante uma tradição de brasileiros que recriaram algumas bases da música popular, de João Gilberto e Tom Zé a Egberto Gismonti e André Geraissati." – Sandro Ornellas (escritor, professor universitário, poeta e músico).


"A Era da Estupidez" é o álbum mais decididamente progressivo na discografia de George Christian. Trata-se de um trabalho conceitual em que se observa, paradoxalmente, uma narrativa que se inicia como um lamento solitário e vai se desdobrando num cataclisma ultra- psicodélico de timbragens ao observar a estupidez no mundo. É um trabalho em que o compositor se assume solista e multi-instrumentista. O corpo da improvisação e da composição espontânea assume contornos mais estruturados e desafiadores. Das dores secretamente autobiográficas às dores do mundo ao redor, "A Era da Estupidez" é um manifesto contra uma época de retrocessos éticos e um elogio à loucura criativa.


Segundo o artista e estudante de música da Universidade Federal da Bahia, a loucura criativa é algo que parte dele mesmo como compositor e é compartilhado com o ouvinte quando este de certa forma cria e colabora com seu trabalho. Uma interpretação possível deste álbum é a de que é realmente um descontentamento imenso do eu-lírico do compositor com toda a situação difícil que estamos vivendo em todas as áreas, na política, na educação, na saúde.


George Christian é um compositor muito lúcido e uma pessoa que se importa muito com o que acontece ao redor dele. Está sempre muito atento a tudo, como muitos artistas, sentiu o choque de um golpe em 2017 e uma virada de governo em 2018 (Ano em que George começou uma tetralogia de álbuns inspiradas pelo golpe político de 2016 e que culminaram em "A era da estupidez": "Longes", "Cinzas ou Réquiem para Rios Mortos" e "Flying Rivers", com Jeff Gburek).

O momento em que a voz dele aparece no álbum é tocante, é como se ele pudesse estar dizendo tudo e registrando no seu cantar o retrocesso que o Brasil enfrentou e ainda enfrenta.


Para ouvir George Christian é necessário ter sensibilidade musical. E estar disposto a entrar nessa loucura psicodélica criativa junto com ele. Seu trabalho não é contemplado pela massa e sim por uma elite intelectual muito seletiva, não são muitas as pessoas dadas a contemplar uma música tão conceitual e instrumental. Sobre isso, o artista concorda que seu público é seleto, e diz que tem o tamanho que deve ter. Que não almeja ser extremamente conhecido e ter que arcar com muitas responsabilidades trazidas pela fama que talvez ele não esteja disposto a tomar.


Outro fato importante de ser destacado é a capa do álbum que é uma fotografia de sua amiga russa, Erin Fetengof. Em que aparece a natureza de certa forma sombria e serena. E a Erin está presente como uma figura de uma mulher que não mostra o rosto, apenas os cabelos loiros, apesar de quase imperceptível essa mulher está entre as árvores na capa. Essa capa é muito sintomática porque ela pode remeter à figura da mulher presidenta ou presidente (como você preferir chamá-la) afastada Dilma Rousseff. Mais do que isso, o George ao lançar essa capa, para esse álbum e escolher uma mulher de um país frio para fotografia, diz muito sobre o estado de espírito do músico que tem um trabalho autobiográfico. Como todas as obras do George Christian, este trabalho deve começar a ser contemplado pela sua capa que faz um belo complemento e se encaixa perfeitamente com a sua música.


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