Camila Brasil Lança Novo Trabalho: "CRUA".



A cada passo, ela vai além de nossas expectativas. Esbanja experimentos, sons dançantes, letras com poesias concretas e inquietações de seu eu lírico.

Camila se despede de seu primeiro álbum homônimo para deslanchar em CRUA.

Produzido apenas por ela e seu braço direito e contrabaixista, Wester-ly, traz uma concepção visceral de tudo que ela já tinha criado. Um bombardeio de arrepios e de dança leve das guitarras incorporadas e volumosas.

Primeira faixa do disco – “Iaiá” – é sem comparações a outros artistas e compositores, traz identidade, uma letra complexa e reflexiva. Nos envolvemos com as segundas vozes de quase toda música, é um entorno de batidas eletrônicas e sons orgânicos, percussão marcante e traço forte.

É indescritível a sensação que ela traz ao ouvir pela primeira vez e, para quem já ouviu (e quem gosta e admira o som), a segunda e terceira vez (e muitas outras, claro) é como se todo sentimento criado de inicio abrisse portas para novas sensações, leituras e compreensões.


Ela que vinha de uma MPB totalmente formal (ainda assim, com letras e harmonias tortas e potentes) caminha por uma sonoridade diferente de tudo o que ela já tinha produzindo, sempre fugindo e abrindo mão da mesmice dos dias de hoje, é de ouvir e não enjoar. “Extremos” é outra que se contesta do começo ao fim, dá para dançar com a batida envolvente ou até mesmo ouvir naqueles dias em que o questionamento existencial está em evidência – “ter coragem de ser por inteiro mesmo que o todo seja só meio”.

“Descrença” tem uma inquietude sem igual; suas frases são cheias de entrelinhas. Seu violão e guitarra complementam os efeitos que incendeiam a música mais curta, simples e bonita de todo disco.


Logo em seguida, como próprio nome diz, é um “Devaneio” do projeto todo; seu dedilhado no ukulele, as guitarras e efeitos psicodélicos, a calmaria no começo que é fantástico, fora as guitarras que mais parecem estar enfeitiçadas.

Suas batidas e paradas – mais parece que a música irá acabar, mas não – fazem o coração palpitar e apostar que a garota, brasileira e paulistana, de apenas 24 anos de idade, pode ir muito mais além do que estamos conhecendo agora.

O final é com chave de ouro, “Recado” finaliza com todos dançando ao som dos anos 80, com toda beleza e ternura. Seu tecno-brega e a mistura do pop ganham um brilho único com a música curta e que não conseguimos ficar parados.

Camila deu um passo grandioso, trazendo mais que um simples CD com músicas inéditas. Tem potencial e pode ser mais um brilho da nova MPB.

#Crua #Novo

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